segunda-feira, 3 de março de 2014

Brasil: segundo lugar em vulnerabilidade.


               
 
               Após a avaliação feita pelo Federal Reserve americano, onde o país está na segunda posição (em uma lista de quinze países) no ranking dos países emergentes com a economia mais frágil depois da Turquia, o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirma que o Brasil "é um dos países mais bem preparados pós crise". O que nos mostra informações desencontradas, mas qual será a situação real do país?

 
                Em um ano em que o país está em evidencia mundial por conta da Copa, recebendo investimentos externos e, além disso, recebendo uma grande massa de turistas dispostos a conhecer o país, fazendo a economia local de cada região girar em torno desse evento, isso nos mostra uma realidade diferente da anunciada no Fed.

Entretanto, o Brasil tem vivido nos últimos meses, uma "crise" de manifestações contínuas de pessoas insatisfeitas com os altos investimentos para da Copa, juros altos, aumento nos preços dos serviços e produtos e outras situações de irregularidade. A onda de violência que vem acontecendo, também é algo que agrava a imagem do país mediante aos outros países, mostrando para o mundo inteiro que Brasil é um país vulnerável a violência, afastando os turistas mais receiosos e preocupados com a segurança do país.

 
                 A política brasileira é outro assunto que também anda dando o que falar aqui e lá fora, com as acusações de roubo do dinheiro público, em que foi denunciado o esquema do "Mensalão", onde todos envolvidos são parlamentares e pessoas influentes no país, tem feito uma imagem negativa da nossa política, mostrando que o país está jogado as "traças" e com uma completa desordem nacional, onde a saúde, segurança, lazer, e outros serviços básicos oferecidos a população estão precários, em um estado de calamidade. Evidenciando assim que não estamos preparados para receber um evento de grande porte.

 
                  Por conta disso, nossa economia (que movimenta bilhões ao ano) tem sido alvo de rumores de vulnerabilidade, pela má administração, politicagem, desonestidade de nossos políticos, oscilação em nossas taxas de juros, altos impostos e principalmente o "não agir" de nossos representantes, o que realmente deixa nossa economia extremamente fraca e inconfiável para nossos futuros investidores.

 
                   Por outro lado, apesar dos rumores de vulnerabilidade, altos impostos e etc., o país tem sido alvo de empresas multinacionais (principalmente na área de indústria automotiva), que estão dispostas investirem alto no país, de olho nos consumidores que a cada ano estão consumindo mais e poupando menos. O investimento feito de 2010 que irá até 2016, chega a R$ 30 bilhões, investidos em ampliações e instalações das montadoras no país. Essa chegada de grandes investidores irá gerar centenas de empregos no país, ajudando evidentemente para o crescimento do PIB e melhoria no fornecimento de produtos aos seus consumidores.

 
Mas, vale lembrar que no ano passado, o investimento estrangeiro direto caiu 3,9% em comparação ao ano anterior, foram US$ 63 bilhões em 2013 contra US$ 65 bilhões em 2012. O relatório da Unctad destaca que os IED subiram 11% no ano em todo o mundo, atingindo US$ 1,46 trilhão. Os países emergentes são os principais recipientes destes recursos - representando 52% do total. O Brasil caiu da 4ª posição para a 7º no ranking mundial dos maiores recipientes em 2013. O País também teve a pior variação entre os Brics (grupo que reúne ainda a Rússia, a China, a Índia e a África do Sul).  Entre 2000 e 2006, o Brasil recebeu em média US$ 20 bilhões por ano. Desde 2011, a média é três vezes maior - superior a US$ 60 bilhões.

Com todas as informações em números sobre a economia do país, aparentemente a mesma vai de "vento em poupa", recebendo altos investimentos e fazendo tudo girar dentro do país. É contraditório dizer que estamos frágeis economicamente, se nossos investimentos recebidos nos mostram a confiança que os investidores têm no mercado brasileiro, mas é claro que o resultado do relatório Fed causará um impacto nos próximos investimentos e até mesmo nos atuais, mas por outro lado a fragilidade de nosso governo nos deixa à deriva dos resultados, a nossa instabilidade nas taxas de juros e de certo modo no mercado financeiro nacional, não nos ajuda a obter melhores resultados nos rankings mundial.

 
                    Para que nossa economia seja vista como estável pelos órgãos competentes, é necessário adotar metas de crescimento continuas e confiáveis. Essas mudanças primeiramente devem começar por nossos representantes, exterminar a corrupção, e investir melhor o dinheiro no país, melhorar principalmente a segurança e educação, construir pessoas éticas e profissionais altamente qualificados. Uma vez em que o mundo ver que o país está mudando o seu jeito de governar, e ver que seus cidadãos estão satisfeitos com o governo e não haver mais manifestações populares, isso irá significar para quem está de olho no país, que o Brasil não é mais uma nação de corruptos que roubam a si mesmos.

 
Se houver mudanças positivas em nossas regras econômicas, em nossos impostos e "pararmos" de ser corruptos, com certeza olharão para nós com bons olhos. É claro que essa mudança não acontecerá do dia para noite, estamos manchados, e isso leva tempo para sair, mas é preciso começar a esfregar e limpar a mancha/casa, extrair os maus elementos, e principalmente começarmos a votar conscientemente em pessoas íntegras, e com projetos que nos evidenciam como potência forte que somos, com as riquezas que nós temos, e vontade de crescer também. Só estamos cansados e adormecidos por tanta imprudência com o país. Quem perde é o país e todos nós, somos "mal falados" e mal vistos por conta de nossa incompetência política, porque de um em um se faz um milhão, e assim sempre elegemos os piores candidatos para nos representar.

 
                     O Brasil é um país rico em fontes naturais, o que deveria contar a nosso favor, mas não sabemos usar tudo o que temos de forma correta, nossa sequência de erros, principalmente com a sociedade brasileira, é o que nos torna fraco mediante as outras potencias. Crises, escândalos, violência, impostos altíssimos, corrupção, roubo, mensalão, tudo isso colabora para sermos o segundo país com a economia mais vulnerável entre os emergentes, nossos números podem mostrar os melhores investimentos e giros, mas nossas atitudes erronias mostram que somos inteiramente frágeis para recebermos a atenção de todo o mundo.
 
 
 
(MARINHO, Ana Paula - Rio de Janeiro, março, 2014. "Trabalho acadêmico de macroeconomia")